Tendo constatado várias distorções de minhas palavras na reportagem General admite que o Brasil prendeu estrangeiros na Operação Condor (30/12/2007), valho-me deste espaço para corrigi-las, deixando bem claro que somente concedi a entrevista ao signatário daquela matéria porque entendi que a oportunidade me permitiria mostrar as mentiras que há décadas vêm deturpando a história da participação das Forças Armadas na luta que travaram com duas dezenas de organizações de corte comunista.

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O jornalista tomou conhecimento de artigo de minha autoria sobre o tema (Junta Coordenadora Revolucionária y La Operación Cóndor) e me ligou querendo confirmar seu conteúdo. Ora, eu não tinha motivo algum para negar o que havia escrito e não nego. Na gravação que ele provavelmente possui, disse-lhe que ele sabia muito mais sobre essa operação do que eu. Pode-se notar que todas as minhas ponderações foram feitas em tese, de acordo com o que se supõe. Tomadas pelo signatário como fato, coisa ou ação feita, geraram uma distorção indesejada. Uma das poucas afirmações que fiz, baseada em fatos reais, foi quando me referi aos atletas cubanos que, mesmo não sendo terroristas, foram entregues a Cuba. Este ponto é um dos que não se referem na reportagem.

Escreve-se muito, ultimamente, sobre a tal Operação Condor, envolvendo militares que exerceram os mais altos cargos no Exército e no País, mas absolutamente nada sobre a Junta Coordenadora Revolucionária (JCR). Acredito que a maioria dos militares desconheça esses assuntos, sendo pouquíssimos os que já ouviram falar nessa organização subversiva que reunia uma grande quantidade de organizações terroristas.

Em momento algum eu admiti que o Brasil prendeu estrangeiros. Ao contrário, cheguei a mencionar o norte-americano John Dingues, especialista no assunto, que teria afirmado, em palestra proferida na USP, que a participação do Brasil na Operação Condor se limitou ao fornecimento de informações e ao treinamento de agentes estrangeiros. Sobre isso nada é mencionado na reportagem.

O jornalista que me entrevistou, por telefone, está, na verdade, mal informado. Diz, por exemplo, que na década de 80 chefiei a Seção de Operações do CIE, sendo que eu jamais pertenci a essa seção do CIE e nunca servi em qualquer outra Seção de Operações. Escreve sobre Pedidos de Busca do CIE 571/ 1974 e o 36 /1976 de uma forma a induzir o leitor a crer que deles tive conhecimento ou, até mesmo, fosse a sua fonte. No entanto, nunca vi qualquer Pedido de Busca ou informação relativos a essa tal Operação Condor no CIE. Ademais, de 1974 a 1977 eu exercia a função de instrutor na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro. Afirma que fui adido no Paraguai, função de certa forma ligada à área de informações, embora eu jamais tenha exercido tal função, mas apenas a de assessor de Cavalaria na Missão Militar Brasileira de Instrução. Também jamais ouvi falar, antes daquela reportagem, sobre a mencionada Operação Congonhas, que teria se realizado em 1983. Além do mais, de 1982 a 1984 eu estava no comando do 2.º Regimento de Carros de Combate, no interior paulista, sem ligação alguma com esses assuntos.

A verdade é que, já no governo Sarney, por mais de um ano coordenei um trabalho de pesquisa sobre a luta armada no País, valendo-nos de todas as informações arquivadas no CIE e em todo o Sistema de Informações do Exército. Esse trabalho é que dá uma visão abrangente sobre a subversão no País. Posso asseverar que durante todo o trabalho de pesquisa minha equipe jamais se deparou com qualquer referência à Operação Condor. Conclui-se, portanto, que, se o Brasil efetivamente chegou a participar dessa operação, ela foi coordenada em nível acima do CIE.

 

Agnaldo Del Nero Augusto Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Brasília

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