O Globo OnlineEFE

"Se eles se meterem com algum de nós, estarão mexendo com todos. Tocar a Venezuela é incendiar a região"

CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, propôs no domingo a criação de uma Força Armada conjunta de países da América. O Exército seria formado por Bolívia, Cuba, Dominica, Nicarágua e Venezuela, países integrantes da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), com o objetivo de enfrentar uma possível agressão dos Estados Unidos ou de algum de seus aliados contra a região.

Texto completo

- Vamos encomendar a preparação de papéis de trabalho. Temos que ter uma estratégia de defesa conjunta da Alba - propôs Chávez, durante seu programa dominical "Alô Presidente!", que teve como convidado especial o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

A iniciativa seria uma resposta à análise que os dois presidentes fizeram da situação latino-americana, na qual destacaram que os Estados Unidos, através da Colômbia, estão ameaçando "não só a Venezuela, mas toda a América Latina", segundo Ortega. Chávez, acusou na sexta-feira o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de tentar provocar uma guerra, por ordem dos EUA.

 

- Se eles se meterem com algum de nós, estarão mexendo com todos. Tocar a Venezuela é incendiar a região. Tocar a Venezuela é tocar toda a América Latina - afirmou o presidente nicaragüense. - Espero que o povo colombiano tenha a força para frear esta escalada que está ocorrendo contra a Venezuela e contra o processo de integração dos povos americanos.

Chávez mencionou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mostrou recentemente de acordo em criar o Conselho de Defesa Sul-americano e que, na mesma lógica, poderia ser criado não apenas um Conselho de Defesa da Alba, mas as Forças Armadas da Alba. O projeto da Alternativa Bolivariana para as Américas foi lançado em 2004 por Chávez e Fidel Castro contra a "maldição do capitalismo" e como uma alternativa à Área de Livre Comércio das Américas, promovida pelo governo dos EUA.

Presidente estuda nova fórmula para permitir mais de uma reeleição

Chávez também propôs em seu programa que seja estudada a possibilidade de convocar em 2010 um referendo para que emendar o artigo constitucional que limita a uma a reeleição presidencial. A possibilidade de que o presidente possa ser reeleito por mais de uma vez foi derrotada, junto a outras 60 propostas, no referendo sobre a reforma constitucional, realizado em dezembro do ano passado.

O presidente defendeu que, se for a vontade popular e se a maioria quiser, poderia ativar o mecanismo para permitir mais reeleições. Ele disse que poderia aproveitar que em janeiro de 2010 seu mandato chega à metade para lançar mão da opção constitucional do referendo revogatório, acrescentando a essa consulta uma segunda pergunta sobre a reeleição.

- Sou capaz de convocar eu mesmo o referendo revogatório contra meu mandato, sem que ninguém o convoque, mas que teria duas perguntas - afirmou.

A primeira pergunta seria a do próprio referendo, sobre se o eleitor quer que o presidente termine seu mandato em janeiro de 2013 ou quer que seja interrompido e deixe a Presidência naquela data, em 2010. A segunda, cuja natureza legal deveria ser estudada, perguntaria: "O senhor concorda em emendar o artigo 227 da Constituição, onde diz que o presidente só poderá ser reeleito uma vez?".

- Esse seria um cenário, mas não quero que discutamos isso agora porque seria cedo - acrescentou.

Ele também disse que os revolucionários devem trabalhar intensamente, porque se tiver que entregar o comando a um contra-revolucionário em janeiro de 2013 "a guerra viria".

- Imaginem se assume um governo contra-revolucionário que comece a perseguir os militares patriotas, os conselhos comunais, os médicos cubanos, os programas alimentícios, as bolsas de estudos, que privatizasse a saúde, isso seria a guerra - afirmou. - Pensem, vejam além, porque nós somos o projeto da paz e eles são o projeto da guerra.

 

 

Adicionar comentário