Chico Buarque também acha que a política brasileira deve ser tratada como a Geni de sua música. Ele está com Paulo Betti. Daí que vote, claro, em Luiz Inácio Lula da Silva. Não é de espantar. Ele faz coisa muito pior, como defender o regime homicida de Cuba, por exemplo. Faz coisa ainda pior: pretende-se o branco de olhos verdes bastante procurador dos oprimidos brasileiros. E está sempre disposto a denunciar a violência da elite branca e perniciosa, como um Cláudio Lembo de sobrancelhas aparadas, entre um café e outro, um jogo de futebol e outro, em Paris.

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Não. Não é ressentimento. A maioria de nós que lê jornal ou tem acesso a meios eletrônicos de comunicação pode ir a Paris se quiser. Ainda que não tenha o mesmo talento de Chico Buarque para fazer música (ao menos para os que gostam). Trata-se de brasileiros que dominam outros códigos, que são bons em outras coisas. E a sua especialidade, qualquer que seja ela, não lhes confere licença para falar bobagem. Chico, há muito tempo, é uma espécie de porta-voz, a despeito de sua brincadeira de gato e rato com a mídia, da suposta boa consciência nacional. É o nosso esquerdista chique de plantão; é o nosso socialismo lírico — como se pudesse haver um; como se tivesse havido um algum dia.

Ele pode, evidentemente, votar em quem quiser. Só não pode fazer o que fez nesta segunda, conforme relata o Estadão: “Chico Buarque reafirmou que vai votar em Lula e defendeu o músico Wagner Tiso, que disse não se importar com a ética do PT, mas com o jogo do poder. 'Também já falei bobagem, depois me arrependo.' Para ele, a posição dos colegas não é a de descartar a ética, mas relatar como é a política no Brasil. 'Essa é a realidade política.'”

Entenderam? Primeiro ele diz que foi uma bobagem. Depois ele não apenas justifica como repete o argumento de Tiso e do próprio Paulo Betti. Não há diferença entre dizer “Essa é a realidade da política” — ou seja, a ausência de ética — e a necessidade de “enfiar a mão na merda”. Esse é o Chico Buarque de “Apesar de você/ amanhã há de ser/outro dia”. Essa deve ser a “enorme euforia” que ele vislumbrava em suas músicas quando acabasse a ditadura. Esse é o cantor do “Vai passar/pela rua um samba popular”. Esse é o “poeta” daquela cafonice chamada Cálice. É a utopia imaginada pelo crítico social que via os operários caindo do andaime “na contramão/ atrapalhando o tráfego”.

Já escrevi outras vezes. Acho que ele tem letras líricas até razoáveis, com certo domínio do verso. Suas composições políticas, como quase toda arte engajada, é um lixo. Já eram a seu tempo. Valiam pela mística da resistência. Mas agora olhem o mal de que essa gente é capaz. Claro, a classe média engajada vai embevecida a seus shows. Os jornais se rasgam em elogios e lhe concedem espaços generosíssimos, como se um intérprete singular do Brasil estivesse falando. É nada. Bom era seu pai, Sérgio Buarque de Holanda, na obra que transita entre a história, a sociologia e a antropologia. A única besteira que fez foi fundar o PT. Mas Raízes do Brasil, Visão do Paraíso e Cobra de Vidro são livros que merecem ser lidos.

Durante algum tempo, Chico foi próximo do antigo Partido Comunista Brasileiro, o “Partidão”. Era até meio careta. Representava uma certa oposição, por exemplo, ao movimento tropicalista, que se queria mais internacionalista e menos engajado naquele misto exótico de nacionalismo e esquerdismo que acometia o Brasil — era mais um dos nossos “nativismos”. De todo modo, o pecebão reunia alguns intelectuais, gente que tinha lido mais de dois livros — ainda que errados. Com o tempo, Chico, como todos nós, foi ficando velho. E ficou precocemente gagá. Se o PT já era uma espécie de delinqüência intelectual no terreno da própria esquerda — isso quando ainda se queria puro (nunca foi) —, imaginem hoje, depois de tudo.

Suas declarações, tanto a de voto como a que perdoa Wagner Tiso, são dadas no mesmo dia em que vêm a público gravações que sugerem que Delúbio Soares, que continua petista, sim, senhores, pode ter comandado um esquema de R$ 15 milhões só na Saúde.

Grande coisa! Se Chico defende Fidel Castro — e ele defende —, por que iria se incomodar com isso? Quem é capaz de condescender com a execução sumária, sem direito a julgamento, de opositores do regime cubano, por que iria se incomodar com a bagatela de R$ 15 milhões — ou de R$ 40 milhões, arrancada aos pobres dos andaimes? A ideologia não tem preço. Nem limites.

A volta de Chico Buarque converte-se, assim, num emblema. Ela fecha um ciclo. Serve de trilha sonora das utopias da esquerda brasileira. Era isso o que ela queria. “Joga pedra na Geni. Ela é feita pra apanhar. Ela é boa de cuspir. Maldita Geni!
Comentários  
#19 Joao 30-01-2016 20:31
...Sérgio Buarque de Holanda foi um dos mais importantes historiadores brasileiros. Foi também crítico literário, jornalista e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.. ..ficou fácil de entender....foi seu pai quem escreveu a maioria das obras do "Chico".....e tem mais pra quem defende o cara....Em dezembro de 1961, aos 17 anos de idade, bem antes da fama, Chico Buarque e um amigo foram presos roubando um carro nas proximidades do estádio do Pacaembu para passear pela madrugada da capital paulista. Durante seis meses, ele ficou em liberdade condicional. Na capa de seu disco “Paratodos”, lançado em 1993, Chico Buarque utilizou a foto de sua ficha policial feita durante a sua prisão. - See more at: http://radiovox.org/2014/12/21/o-dia-que-chico-buarque-foi-preso-roubando-carro/#sthash.sgR78Jf6.dpuf.......enfim, quem defende só pode ser igual!
#18 Rosa 08-01-2016 21:04
Estou perplexa em ver a que ponto chegamos. Será que estamos em algum alinhamento planetário que nos leva à intolerância? Será que a política no Brasil se transformou em alguma espécie de islamismo? Deixe o chico votar no Lula, vote no Aécio quem quiser, eu particularmente votarei no Ciro Gomes. Cada um tem sua convicções. O importante é que busquemos informações que fundamentem nossas escolhas. Vamos parar com isso gente!
#17 Carlos gomes 26-12-2015 14:51
Todo petista deve ser devidamente cobrado pelo mal que fazem ao país, mesmo que seja o Chico Buarque. Ainda bem que estes sugadores estão no volume morto.
#16 pedro E. caravellas 23-12-2015 22:14
O ressentimento com a ditadura é algo que faz pessoas apoiarem esse ParTido! Chico, Jô Soares, etc... todos ressentidos, dor de cotovelo!
#15 pedro E. caravellas 23-12-2015 22:12
È o ressentimento pela ditadura é que faz esse amor horroroso! chico, jô soares, etc... todos ressentidos... dor de cotovelo.
#14 carlos rolla 23-12-2015 21:41
Viva, minha Gente - Chico a traiu
Sou Suburbano,
e tenho flores na janela
#13 Pedro Vono 20-09-2015 16:55
Quem é reinaldo Azevedo? quem é Chico Buarque? Percebem? há uma grande diferença! Falar de composições "ridículas" de Chico? ridículo é o autor desconhecido deste texto. Esta com inveja do talento do artista? Ele não pode opinar nem ter preferencias? Sugira um debate cara a cara com ele. tenha a coragem de se expor na sua presença. Se vc conseguir engoli-lo no debate, voto pra vc, babaca.
#12 Paulo do Estreito 27-06-2015 23:56
onde está a inspiração desse hipócrita? por que não compõe: "afasta de mim esse corrupto" ou "afasta de mim os petralhas". claro que não. é claro que não, certamente ganha dinheiro com essa gente. não gostava dos militares, pois estes não lhe davam oportunidade de enriquecer facilmente sem trabalho de verdade.
#11 SONAYRA 02-03-2015 14:54
Chico buarque é o cara, e o fato de certas ditaduras serem ruins,. não inocentam a DITADURA MILITAR, CRIMINOSA, ASSASSINA E TORTURADORA... E façam igual... e quem não quer ir a Paris?
#10 Helvidio Neto 18-11-2014 00:35
No auge da Ditadura Militar o Chico Buarque pediu para ser afastado o cálice (cale-se) tão amargo de vinho tinto de sangue e hoje em plena ditadura bolivariana (pior do que a militar) ele saboreia o mesmo cálice como um judas quando mergulhou o pão no vinho diante do Cristo traído, e ainda lhe beijou a face. Ah Chico, quem te viu, quem te ver.
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