País foi o escolhido dentro do processo de beatificação do papa João Paulo II.
Evento no Rio mostrou um papa com vitalidade, mas escancarou erros de organização
Portal Terra – 28/07/2013
Com discursos voltados para o lado social, o papa Francisco encerra neste domingo a Jornada Mundial da Juventude com a Missa de Envio, às 10h, na praia de Copacabana. A expectativa da Prefeitura é que o número de fiéis na orla chegue a 3 milhões de pessoas, a maior aglomeração pública da história da cidade. Na homilia final de sua viagem, o Papa deve voltar a tocar em assuntos que marcaram sua visita ao país, que começou na última segunda-feira: uma igreja mais aberta e atenciosa com os mais pobres, e que valorize mais os idosos e jovens.

De acordo com fontes consultadas pelo Terra, o Pontífice deve ainda anunciar a cidade de Cracóvia, na Polônia, como sede da próxima Jornada Mundial da Juventude e onde deve também sacramentar a beatificação do Papa João Paulo II, que foi arcebispo na cidade polonesa. A próxima edição do evento católico será realizada em 2015 ou 2016, já que não há um período determinado pelo Vaticano para a ocorrência do evento. 

Apesar da alegria e da empolgação dos milhares de jovens que tomaram conta do Rio de Janeiro nas duas últimas semanas, a Jornada Mundial da Juventude chega ao fim marcada por  erros de organização e uma conta a pagar por parte da igreja. Embora o discurso oficial seja que a Jornada vai ser paga com o dinheiro dos patrocínios e da doação dos peregrinos e voluntários, o evento deverá contar com doações robustas de empresários cariocas no valor de R$ 10 mil para tentar amenizar os prejuízos de cerca de R$ 30 milhões. O cancelamento dos eventos da vigília e Missa de Envio, que seriam realizados em Guaratiba, no extremo oeste do Rio, contribuíram para este rombo nas finanças da JMJ. 

Quanto à segurança, vão ficar para o mundo as imagens do Papa Francisco preso entre os ônibus e a multidão na avenida Presidente Vargas, logo em seu primeiro passeio pela capital fluminense. Francisco queria estar perto do povo e conseguiu, apesar dos 15 mil agentes colocados à disposição pelo governo brasileiro para "protegê-lo" de um mal que foi neutralizado pela simpatia, bom humor, disposição e simplicidade do líder da igreja católica. 

O sistema de fechamento de ruas, feriados e contingente extra de ônibus e problemas metrô mostraram deficiências que o Rio precisará repensar para outros eventos.  "Não há estrutura de mobilidade que possa dar conta disso e pedimos paciência. A constatação é que teremos muito mais gente em Copacabana do que imaginávamos", afirmou o prefeito Eduardo Paes, reconhecendo as limitações do Poder Público. Peregrinos foram deixados à pé na Zona Norte da cidade no meio da madrugada e outros viram os ônibus passando sem parar na avenida Brasil. O metrô, cuja responsabilidade é do governo estadual, deixou um grande contigente de pessoas na mão logo na primeira missa da JMJ. 

Guaratiba, bairro da Zona Oeste escolhido pela igreja por indicação da própria Prefeitura (depois que o Campo dos Afonsos foi vetado pelo Exército), para instalar o Campus Fidei, ou Campo da Fé, foi inviabilizado pela chuva. Com muita lama e estrutura precária após apenas três dias de chuvas, toda a estrutura de palco e apoio aos peregrinos começou a ser desmontada ainda na sexta-feira, depois de confirmada a transferência da Vigília e da missa final para Copacabana, deixando comerciantes locais no prejuízo.

 

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