Na retomada das eonversações de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo colombiano, em Havana, a narcoguerrilha marxista faz exigências que, se aceitas, representarão a completa desmoralização do Estado.
O Estado de S. Paulo - 07/08/2013

A negociação, mediada por Cuba, Venezuela, Noruega e Chile, começou em 2012 e tem sido, no geral, positiva, embora esteja ocorrendo sem um cessar-fogo. Em maio passado, as partes chegaram a um acordo sobre uma reforma agrária, uma das principais imposições da guerrilha. Entre os pontos acertados estão a criação de um fundo para compra de terras e a implantação de programas para capacitação rural, além de investimentos em saneamento, educação e saúde para os pequenos agricultores. Está previsto ainda um plano de combate à fome na zona rural.

Agora, o tema em discussão é a participação dos integrantes das Farc na vida política, e o grupo não se faz de rogado: exige que o Estado colombiano financie totalmente a estrutura que julga necessária para esse fim.
 
O chefe da delegação das Farc, Luciano Marín Arango, aliás “Iván Márquez”, detalhou a exótica pretensão. Disse que era necessário “garantir de maneira efetiva, real e material, os direitos políticos de todos os integrantes das organiza-
ções guerrilheiras em rebelião contra o Estado”. Para as Farc, não basta conquistar o direito de formar partidos e de participar de eleições, o que é uma reivindicação legítima. O grupo quer “condições especiais” de acesso a meios de comunicação. “Márquez” foi didático: “Por acesso entenda-se o acesso à propriedade e à participação nos meios públicos estatais, inclusive em sua programação. Em todo caso, o financiamento será estatal”.
 
Os narcoguerrilheiros querem, “em especial”, que se financie “um diário impresso, uma revista de teoria e análise política e uma emissora de TV com cobertura nacional”. Só assim, argumentou “Márquez”, as Farc poderão entrar na política em condições de igualdade com os demais partidos, uma desculpa mal ajambrada para esconder o estatismo patológico dessa turma.
 
As exigências estapafúrdias, porém, não param aí. As Farc querem também que todas as “instâncias parlamentares” do país reservem um certo número de vagas para os futuros políticos oriundos da guerrilha. Para isso, seria necessário criar o que as Farc chamam de “circunscrição de paz” dentro do Congresso colombiano, onde atuariam esses parlamentares. A intenção é “garantir a participação direta no Poder Legislativo”.
 
Tais imposições são evidentemente despropositadas, mas não surpreendem. Num passado não muito distante, durante as negociações de paz realizadas entre 1998 e 2002, o então presidente colombiano, An-drés Pastrana, desmilitarizou uma parte do território e cedeu o controle da área às Farc, conforme exigia a guerrilha. Ao aceitar abrir mão da soberania do Estado sobre um pedaço do país e dá-lo a um grupo armado que pretendia destruir esse mesmo Estado, o governo desmoralizou-se.
 
Agora, as Farc querem uma espécie de “zona desmilitarizada” no Congresso e cobram privilégios inaceitáveis numa democracia, mesmo em se tratando de um processo excepcional de transição num país conflagrado pela guerra civil. O atual presidente, Juan Manuel Santos, não pode cometer o mesmo erro que Pastrana. Não pode ceder aos caprichos de guerrilheiros que, conforme mostra o histórico tias negociações de paz, raras vezes demonstraram autêntico interesse em acabar de vez com a guerra.
 
Os colombianos não são tolos. Uma recente pesquisa mostra que 63% deles não apoiam o atual processo de paz, pois estão vacinados contra as velhacarias das Farc. Além disso, 45% não acreditam que as negociações resultem no fim dos conflitos. Para contornar esse ceticismo, o governo Santos precisa convencer as Farc, de uma vez por todas, que determinadas condições são inegociáveis, a começar pelo autêntico respeito às regras do jogo democrático.
 

Comentários   
#5 Valdeke Silva 21-02-2015 12:17
Se a Colômbia permitir que estes terroristas das FARC virem políticos, veremos se repetir aí o que aconteceu no Brasil com os terroristas comunistas, que subiram ao poder pelo voto e agora quer rasgar a Constituição, vilipendiar o Congresso e governar por meio de "conselhos populares", todos claro, formado pela turma vermelha.
#4 enrico cabral maggi 31-10-2014 16:54
Há necessidade de uma faixa de FRONTEIRA bem definida entre BRASIL/COLÔMBIA . Formada por uma estrada fortificada com 20(vinte)m de largura,com pontos críticos fechados por campo minado em toda orla da fronteira.Câmar as de alta resolução do lado nacional,monito rada permanentemente , por Tropas de forças especiais bem armadas,equipad as com elementos de "comandos", para pronto emprego. Muro fortificado, lindeiro ao lado nacional com Guaritas de 100 em 100 metros, equipadas com sensores de presença, patrulhas de reconhecimento 24 horas, sobre esse muro fortificado.Tud o sob o controle das FFAA.´., apoiadas pela Polícia Federal.Plano de reajustamento de segurança periódico....E mãos à obra.BRASIL ACIMA DE TUDO.´. SEEEEELVA!.
#3 Osvaldo Aires Bade 04-09-2013 09:11
A VERGONHOSA ATITUDE DA FAMÍLIA MARINHO, O SBT, O ISLAMISMO, O COMUNISMO, O PETISMO E CUBA (AQUI)
http://cinenegocioseimoveis.blogspot.com.br/2013/09/a-vergonhosa-atitude-da-familia-marinho.html
#2 Milton 13-08-2013 17:35
FARC VAI A PQP...
#1 Milton T. 08-08-2013 19:01
Muita m ... m... m...
Adicionar comentário