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Expansão da ALN -  1969

Em 1969 a ALN já atuava  no Rio de Janeiro (Guanabara), em Ribeirão Preto, no Ceará, Recife , Goiás e Distrito Federal. O projeto da organização era expandir os focos de guerrilha por todo o Brasil.  Em Ribeirão Preto e no Ceará, inicialmente, os grupos que aderiram à ALN, não obtiveram muito sucesso. Em Ribeirão Preto, alguns atentados a bomba e assaltos a banco foram frustrados. O grupo não conseguiu desenvolver nenhuma ação de vulto e no início de novembro, com prisões em São Paulo, Ribeirão e cidades vizinhas, foi desbaratado. No Ceará a ALN estruturou-se a partir da dissensão de militantes do PCB. Esse grupo, inicialmente,  também, não obteve muito sucesso.

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Atuação da ALN em Brasília e Goiânia

Desde o segundo semestre de 1968, Edmur Péricles de Carvalho foi enviado  para o Distrito Federal, por Marighela, com a finalidade de ser o responsável pelo levantamento de áreas para implantação da guerrilha rural nos estados de Goiás e Minas Gerais. No início de 1969, os levantamentos no campo já estavam prontos e Edmur aguardava instruções da direção da ALN para o prosseguimento das atividades ligadas à guerrilha rural.

Em agosto de 1969, Jeová Assis Gomes foi enviado de São Paulo a Brasília,  por Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo” - segundo homem da organização -, para contatar com José Carlos Vidal. Nesses contatos ficou decidido o deslocamento do grupo para Goiânia e Anápolis. A idéia inicial era formar uma rede de apoio para a futura guerrilha rural.

Marighela, enviou dinheiro e Jeová arrendou a Fazenda Imbira,  na rodovia Goiânia - Neropólis, onde o grupo realizava treinamento de tiro e de guerrilha.

A adesão do soldado do Exército Paulo César Lopes da Silva Rodrigues ao grupo que atuava em Brasília, rendeu dividendos à ALN. Ao desligar-se  do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, Paulo César retirou duas metralhadoras INA , que foram aumentar o arsenal da organização subversiva. Foram entregues, também por ele, à organização subversiva, uma relação de nomes de oficiais do BPEB e um croquis da unidade.

 Em setembro e outubro, em função das investigações sobre o desaparecimento do menor Carlos Gustavo do Nascimento, foi descoberta a trama subversiva e foi  desmantelada a ALN em Brasília e em Goiânia. Ficou constatado que o menor estava, em Brasília, na casa de um diplomata que, na ocasião, servia na embaixada do Brasil na Romênia. Na realidade o menor estava homiziado nessa casa , que  servia de “aparelho” para a ALN. Com as diligências foram presos Marcos Estelita Lins de Salvo Coimbra, Gastão Estelita Lins de Salvo Coimbra,   Benedito José Cabral e Ricardo Moreira Pena. O grupo preso tinha em seu poder uma metralhadora INA e 10 revólveres de diversos calibres, que eram utilizados nos treinamentos, além de munição.

Esse fato ocasionou outras prisões  em Brasília. Dentre os presos, apenas um jornalista - Flávio Tavares - e um pedreiro. O restante, jovens universitários egressos da UNB. Com eles, foi apreendido farto armamento O plano do grupo era desencadear ações de guerrilha no norte de Goiás, enquanto São Paulo era mantido como área prioritária para as ações de guerrilha urbana.

 

As ações da ALN na Guanabara ( atual Rio de Janeiro )

No Rio de Janeiro ( Guanabara), os militantes da ALN iniciaram a preparação para a guerrilha. Do início do ano até abril, limitaram-se a treinamentos e distribuição de textos  de Marighela.

 Em função da ligação que tinham com o líder da ALN, João Batista e Zilda de Paula Xavier Pereira eram considerados os coordenadores da organização na Guanabara.

Em março, um grupo de estudantes, liderados por Carlos Eduardo Fayal de Lira,  resolveu ingressar na ALN. Faziam parte desse grupo: Ronaldo Dutra Machado, Newton Leão Duarte, Flávio de Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr, Jorge Wilson Fayal de Lira e Jorge Raimundo Júnior.

A primeira ação da ALN na Guanabara foi um assalto ao Cine Ópera, em Botafogo, em 27 de abril de 1969. A  tentativa foi  frustrada pelo guarda Antônio Guedes de Moraes que reagiu , dando início a intenso tiroteio. Surpreendidos com a reação, os  cinco terroristas  fugiram sem conseguir efetuar o roubo, deixando o guarda seriamente ferido.  

O fracasso da ação provocou a ida de Frei Oswaldo Augusto de Rezende Júnior ( “Cláudio”) , orientador dos dominicanos em São Paulo, para o Rio de Janeiro, com a finalidade de estruturar a organização. Com o reforço de Fayal e o assessoramento de frei Oswaldo, a ALN/GB reiniciou suas atividades. Já mais preparados, no dia 12 de junho, assaltaram a agência Uruguai, do Banco Boa Vista. O levantamento, a título de ensinamento, foi feito pelo próprio Frei Osvaldo, assessorado por Valentim Ferreira. O assalto, comandado por Domingos Fernandes, foi um sucesso.

Confiantes, a partir dessa ação, a ALN/GB realizou os seguintes assaltos no ano de 1969:

08/07 -  A agência São Cristóvão do Banco de Crédito Territorial, Rua Bela Vista, 597;

12/07 -  Agência de automóveis Novocar, Rua Uruguai, 234;

29/07  - Agência Sans Peña do Banco do Estado de Minas Gerais, Rua Carlos de Vasconcelos;

Faziam parte do bando assaltante: Dulce Chaves Pandolfi, Carlos Roberto Nolasco Ferreira e Nelson Luis Lott de Morais Costa.

 As prisão de Newton Leão Duarte gerou uma crise de insegurança na regional da ALN. O caminho escolhido foi a clandestinidade. O grupo conseguiu um “aparelho” na rua Mourão do Vale, em São Cristóvão , que além de servir de esconderijo para os militantes, era usado como depósito de armas da organização.

No rastro da ALN, a polícia chegou a Zilda de Paula Xavier Pereira, que, presa e posteriormente internada no Hospital Pinel, acabou fugindo para o exterior.

Os militantes, “ queimados “ em suas áreas de atuação eram constantemente  transferidos, para não serem presos. Do Rio foram, transferidos para São Paulo: Sebastião Mendes Filho e Joseph Berthold Calvert. Este último, posteriormente, foi transferido para  São Leopoldo, de onde seria retirado do país, mas foi preso na fronteira com o Uruguai. De São Paulo vieram para o Rio, Aton Fon Filho e Maria Aparecida Costa.

"As ações de violência , praticadas por 29 organizações diferentes, atemorizavam a população, mas  já não causavam o impacto desejado, pela freqüência com que aconteciam.

Franklin de Souza Martins, da direção da Dissidência da Guanabara (DI/GB), propôs uma ação inédita. Sugeriu um seqüestro.

Estudados os alvos, concluiu-se que o de maior repercussão seria o de um embaixador. A idéia foi logo aprovada por Cid Queiroz Benjamin, da Frente de Trabalho Armado (FTA), um dos setores da DI/GB.

Após reuniões, decidiram que o alvo ideal, que teria repercussão nacional e internacional, seria o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick. O objetivo principal do seqüestro, além de destacar a guerra revolucionária por meio da propaganda e de tentar a desmoralização do governo, era libertar os principais líderes do movimento estudantil que se encontravam presos.

Franklin de Souza Martins estivera preso com Vladimir Gracindo Soares Palmeira (Marcos), José Dirceu de Oliveira e Silva (Daniel), militante da ALN, e Luíz Gonzaga Travassos da Rosa, militante da AP.

A direção da DI/GB, após os planejamentos iniciais, concluiu que seria necessária a participação de outra organização, com maior experiência, para apoiá-la nessa empreitada. A ALN, dispondo de gente com treinamento em Cuba, já que os seus primeiros militantes haviam regressado ao Brasil - tendo realizado cerca de trinta assaltos a bancos e carros pagadores, duas dezenas de atentados a bombas, roubos de armas, “justiçamentos”, ataques a quartéis e radiopatrulhas -, foi considerada pela direção da DI/GB como a parceira ideal para tão audaciosa ação. Ajudava muito na decisão pela ALN a figura de Marighella que, pelos seus textos, incentivando a iniciativa e a violência, os levava a supor que conseguiriam o seu apoio para o seqüestro.

Em julho de 1969, Cláudio Torres da Silva (Pedro ou Geraldo), também membro da FTA, recebeu a incumbência da direção da DI/GB de contatar com Joaquim Câmara Ferreira (Toledo ou Velho), segundo homem na hierarquia da ALN, para conseguir o seu apoio. Toledo aprovou a idéia imediatamente.

O período escolhido foi a Semana da Pátria, para esvaziar as comemorações do Sete de Setembro.

 No dia 4 de setembro, a nação  foi surpreendida  com o primeiro seqüestro  no país. “Em frente” com a Dissidência da Guanabara - DI/GB , que depois do seqüestro passaria a chamar-se MR-8  a ALN  praticaria o primeiro seqüestro de  um  embaixador. O escolhido Charles Burke Elbrick, dos Estados Unidos da América." (Trecho do livro A Verdade Sufocada)

O objetivo foi plenamente atingido. A imprensa nacional e estrageira deu grande cobertura ao fato.

No dia 9 de setembro a ALN realizou mais uma ação audaciosa para “expropriação”  de armas. Nesse dia, em dois Volkswagen, a ALN atacou dois soldados da Polícia Militar do Estado da Guanabara ( PMEG) que armados de metralhadora , patrulhavam as dependências da TV Excelsior. Rendidos os soldados Sérgio Rodrigues Teixeira e Hélio Guimarães Monteiro tiveram suas metralhadoras roubadas e incorporadas ao arsenal da ALN. O soldado Sérgio Rodrigues Teixeira foi ferido na cabeça, com violenta coronhada, desferida por Ronaldo Dutra Machado.

Em agosto, Ronaldo Dutra Machado recebeu de Marighela a incumbência  de fazer contato com um grupo em Recife e cooptá-lo para a ALN. O contato foi feito com Francisco  Vicente Ferreira, o líder do grupo, e o convenceu a atuar dentro da orientação de Marighela. Ronaldo voltou ao Rio , mas continuou como coordenador das atividades no nordeste. Ainda em 1969,  a ALN começou a estruturar-se em Recife, tendo como coordenador Ronaldo Dutra Machado  .

Em outubro novo contato foi feito,  no nordeste, por Ronaldo. Os contatos foram feitos com Rholine Sonde Cavalcanti Silva, Luciano Almeida , Perly Cipriano e Maurício Anísio  de Araújo. Como o grupo aumentava,  Ronaldo se estabeleceu em Recife, junto com Dulce Chaves Pandolfi para impulsionar os atos criminosos da organização e juntamente com o grupo assaltou a agência do Banco Financial, em Jaboatão.

No Rio, foi presa Maria Aparecida Costa, em companhia de Valetim Ferreira. Valetim, estudante de 18 anos, guardava em sua casa, na rua das Palmeiras 77, casa 4 , um fuzil Mauser , munição, um mimeógrafo e vários estênceis prontos para rodar. Era o “aparelho “ de imprensa da organização

Em decorrências dessas prisões, foram presos Aton Fon Filho e Linda Tahyah. Em dezembro foram presos: Tânia Regina Rodrigues Fernandes, Pedro Henrique e Alfredo de Miranda Pacheco ( irmãos, que facilitavam a saída, de militantes que, com nomes falsos , iam    fazer curso de guerrilha em Cuba.

A ALN, em 1969,  praticou cerca de 30 assaltos somente no Rio de Janeiro . Entre eles os seguintes:

27/08 - Agência Catete do Banco Novo Mundo;

25/09 – Agência Bonsucesso do Banco de Crédito Territorial;

15/10 - Agência da Rua Bela vista do Banco da Bahia;

29/11 – Firma Construtora Presidente, Rua Mayrink Veiga

05/12 – Agência Castelo do Banco Bordalo Brenha; e

16/12 – Agência Méier do Banco da Bahia.

 

 

Fontes: Orvil

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