Por Fernando Gabeira
"...as atenções não devem ser concentradas nos pequenos gastos folclóricos mas, sobretudo, nos 75 por cento da verba que foram sacados em espécie"

O general Jorge Felix cometeu um erro ao afirmar que os gastos com a presidência não poderiam ser revelados, por uma questão de segurança. Na verdade, considerando que os dois termos são contraditórios, ele simplesmente suprimiu um deles.

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É possível combinar segurança e transparência, e o objetivo do governo deveria ser esta combinação. Afirmar que o presidente fica em perigo, se soubermos onde compra seus alimentos, é um engano. Dizer, como foi dito, que terroristas não podem saber quantos seguranças protegem o presidente é um dado verdadeiro. Mas como poderiam inferir, por uma nota de compra, o número de guardas? Quem garante que todos os guardas foram contemplados naquela compra?

Os terroristas não são assim tão primários, a ponto de escolher um chefe de estado de um pais que não está no centro de sua luta e avaliar, através de uma simples nota fiscal, o volume e a qualidade da sua segurança.

A verdade é que as investigações precisam ser feitas e novas e claras regras precisam ser combinadas com a sociedade. Conforme acentua o editorial da Folha de São Paulo, as atenções não devem ser concentradas nos pequenos gastos folclóricos mas, sobretudo, nos 75 por cento da verba que foram sacados em espécie.

Apesar de que são pequenos gastos injustificáveis que acabam atraindo a atenção dos brasileiros, tornando o caso de mais fácil entendimento que o próprio mensalão.

Não há mais como deter uma CPI. O principal agora é garantir que ela seja capaz de produzir regras claras e uma proposta de transparência que não seja tão simplória como o argumento do general.

Originalmente publicado no blog do site Gabeira.com em 08 de fevereiro de 2008
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*Fernando Gabeira é escritor, jornalista, e deputado federal (PV/RJ)

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