Por Israel Blajberg -

Ao aproximar-se o 21 de fevereiro de 1945, quando os bravos da FEB foram vitoriosos no quarto e ultimo assalto a Monte Castelo, nossos pensamentos voltam-se para aqueles heróis. Faz alguns dias, na grande festa popular do Carnaval, uma afronta emblemática que conspurcaria também a memória dos nossos pracinhas precisou ser barrada nos tribunais. Ganhar a guerra é bom. Perdê-la melhor ainda. O padrão de vida na Alemanha nunca foi tão alto.

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Uma universidade alemã concluiu que de 25% a 40% enxergam aspectos positivos na ditadura de Hitler, enquanto de 20% a 40% são anti-semitas ainda hoje.
 
O dia 30 de janeiro de 2008 marcou os 75 anos da subida de Hitler ao poder em 1933, sendo que a partir de 1941 o Brasil foi covardemente agredido pela Alemanha Nazista. 38 navios mercantes torpedeados, 549 tripulantes e 502 passageiros afogados, 1051 preciosas vidas brasileiras.

O Monte Castelo havia sido atacado 3 vezes por tropas brasileiras e americanas, em novembro e dezembro de 1944.

A infantaria avançava penosamente pela neve e lama, sob um fogo pesado. Clássica situação dos manuais: o inimigo tem a vantagem da altura. Mesmo assim alguns pelotões conseguiram atingir o cume do monte, tendo de se retirar após sofrer pesadas baixas. Um dos batalhões teve 15% de baixas entre mortos, feridos e desaparecidos.

Os tenentes Apollo Miguel Rezk e Moises Chahon, que comandavam pelotões na cota 958, e o tenente Gervasio Deschamps, que subira com parte de seu pelotão continuaram a resistir - embora a ordem fosse para recuar.

Em 21 de fevereiro, com apoio do 1°. Grupo de Caça, o Senta-a-Pua, e da Artilharia Divisionária, ao cair da tarde, após violento combate foi conquistado  o objetivo.

Por bravura em ação, diversos pracinhas foram condecorados com as mais valiosas medalhas brasileiras e americanas, entre os quais o Herói da Reserva, Ten Apollo Miguel Rezk, Cmt Pel da 6ª. Cia, que recebeu a Silver Star Medal, junto com Chahon e Gervasio, e o Capitão Valdir Moreira Sampaio, Cmt da 5ª. Cia do 2°. Btl,  que recebeu a Bronze Star Medal, todos do Regimento Sampaio.

O Brasil se orgulha dos seus pracinhas, que enfrentaram os nazistas na neve das escarpas sob fogo de metralhadoras e morteiros do alto, levando apenas o armamento, a própria ração, e a coragem exemplar.

Ao final do dia 21 o 1°. RI, Regimento Sampaio conquistou as casamatas da cota 977 do Monte Castelo, resistindo à fadiga, a estafa e ao frio, e ainda tendo de cavar fox-holes para a eventualidade do contra-ataque alemão que jamais chegou.

Com a proximidade do absurdo episodio carnavalesco barrado nos tribunais, o 21 de Fevereiro ganha um significado mais profundo neste 2008. Como farol na escuridão, lembra 63 anos depois que o mesmo perigo ainda ronda ameaçador.

Quando o terrorismo internacional emula novamente os pérfidos postulados nazistas, cabe perguntar se os sucessores de Roosevelt, Churchill e Eisenhower pretendem novamente esperar até que seja tarde demais ?

E se o mesmo silencio do Papa de ontem será mantido pelo de hoje?

E se a negativa de Londres e Washington de bombardear os campos de morte ou pelo menos os trilhos que a eles levavam será replicada diante da ameaça agora nuclear ?

Mais um pouco e teremos os 70 anos da Noite dos Cristais de novembro de 1938, e da invasão da Polônia em setembro de 1939, sem que o Mundo desperte e se levante contra os que, sem pudor algum, assumem os mesmos contornos cruéis.

Elie Wiesel, Premio Nobel da Paz de 1986 e sobrevivente de Auschwitz, em sua obra interpreta o canto de uma geração perdida:

 “... desde o fim do pesadelo rebusco o passado ... quanto mais longe vou, menos compreendo ... talvez não haja nada a compreender...”

A Humanidade segue na corda bamba, sem conseguir entender que o compromisso de Wiesel, originado no sofrimento do seu povo, se amplia para abarcar todos os povos e raças oprimidas, e não se prende apenas ao passado, mas, o que é pior, ao futuro.

Passadas mais de 6 décadas, o significado da batalha de Monte Castelo está cada vez mais atual.

Mas ainda há tempo. Novamente, é como se a cada dia estejamos lutando contra os mesmos inimigos, lançando outra vez as 3 primeiras investidas contra o mal encastelado no alto da crista, tentativas plenas de sacrifícios e perdas, mas com a certeza de que a vitória sofrida um dia chegará.

Por isso é tão importante que a cada ano sejam lembrados os combatentes de Monte Castelo, que com destemor nos ensinaram preciosa lição, deixando-nos seu legado para defender.
 
 

Israel Blajberg

Brasileiro nato de 1ª. geração, Rio de Janeiro, 31/maio/1945.
Engenheiro Eletrônico, ENE-UB, Turma de 1968.
Engenheiro da ITT Standard Electric, Westec e Ecodata, de 1968 a 1973. 
Engenheiro Chefe de consultoria na MONTOR S. A. Projetos e Sistemas, da Montreal Engenharia e na BELL CANADA de 1973 a 1975. Em 1975 prestou Concurso Público para o BNDES, sendo Engenheiro do Quadro Permanente.
Em 2005 ao completar 30 anos de serviços prestados foi agraciado pelo Presidente Guido Mantega com o Distintivo de Ouro Branco com Brilhante. Exerceu cargos executivos nas Áreas de Planejamento e Social, atualmente Engenheiro da Área de Planejamento no último nível da carreira.
Especialização em Engenharia Econômica.
Realizou cursos no Brasil e no exterior em informática e tecnologia:
Universidade de Ohio, Instituto Politécnico Nacional do México, como Bolsista da OEA, estágios na EPA em Washington e Boston e no Departamento de Proteção Ambiental do Estado de Massachussets.
Professor da Escola de Engenharia da UFF.
Admitido em 1969 no Quadro do Magistério Público Federal.
Lecionou nas Escolas de Engenharia e Química e no Instituto de Eletrotecnica da Universidade do Brasil até 1975.
Desde 1972 Professor Adjunto IV da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense. É Coordenador do Laboratório de Redes e Presidente das Comissões Prêmio Acadêmico Walder Moreira e 40 Anos de Telecomunicações da UFF.
Ex-aluno do CPOR/RJ, Turma Marechal Rondon, Artilharia 1965. Assessor Cultural e colaborador do Museu do Oficial R/2.
Indicado pelo BNDES para cursar a ESG - Escola Superior de Guerra em 2004, CAEPE – Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, Turma Vontade Nacional e 2007 pelo CLMN – Curso de Logística e Mobilização Nacional, Turma Cinqüentenário do CLMN.
Sócio da ADESG, Clube de Engenharia, Associação dos Antigos Alunos da Politécnica (Vice-Diretor Técnico-Cultural), Arquivo Histórico Judaico Brasileiro e Sociedade Brasileira de Genealogia Judaica.
Diretor de Cidadania da FIERJ – Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, gestão Sergio Niksier 2007-2008
Diretor Acadêmico do Memorial Judaico de Vassouras. Gestão Luiz Benyosef 2007-2008
Diretor de Relações Públicas da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, e Editor do Boletim Informativo. Gestão Cel. Helio Mendes 2008-2009.
Sócio Titular do IGHMB, Cadeira 79 – Marechal Mascarenhas de Moraes.
Academia de Historia Militar Terrestre do Brasil – Cadeira 24 – Cel. Mário Clementino.
Em 2005 participou da Delegação Brasileira para a Marcha da Vida na Polônia e Israel.
Em 2006 participou da Delegação Mundial dos Descendentes de Ilza, Polônia, na re-inauguração do antigo Cemitério Israelita daquela cidade. Em 2007 participou do Seminário Latino-Americano Ensinando o Holocausto, no Yad Vashem, Jerusalém
Agraciado com diversos diplomas e condecorações do Ministério da Defesa, Exercito e Associações de ex-combatentes nacionais e estrangeiras, e admitido na Ordem dos Velhos Artilheiros.

Israel Blajberg é Caveleiro da Ordem do Esquadrão Tenente Vaz.

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