Ernesto Caruso
04/09/2013
 
       O patriarca foi um vitorioso; deixou um legado. Construiu um império nas comunicações a começar pelo jornal que em acirrada luta venceu a concorrência na disputa do leitor. Rádio e rede de TV se transformaram em exemplo de sucesso empresarial.
       Surpreendem os seus herdeiros no mar revolto atual, envolvendo crise política, corrupção, denúncias e escândalos de toda ordem, ao negaram a respeitada e conceituada figura paterna sob o título “Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”, pelo telejornal e site específico anunciado.
       Embora, citem posição semelhante de alguns jornais no entorno do 31 de Março, comentem a firmeza do patriarca e justifiquem a remissão do “pecado” sob o clamor das ruas, nitidamente contra o governo Dilma/corrupção/mensalão, sem referências à Revolução de 64, nem às Forças Armadas, de elevada credibilidade no seio da Nação, fica patente a traição ao jornalista Roberto Marinho.

Testemunhas da História, os jornais foram unânimes em consonância com a sociedade que repudiava e temia a caminhada para o comunismo do governo Goulart/Brizola e as chagas expostas por onde trilhou a sangrar inocentes, opositores e a manietar o cidadão. Ir e vir, progredir, sem medo de dizer o que pensa, sem temer ser denunciado pelo fiscal do quarteirão e apodrecer nas masmorras do tipo Castro/Guevara/Cuba. Os registros são a voz do presente.

Correio da Manhã/Rio, do dia 31: “O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!”.  No dia seguinte reproduziu o grito da sociedade: “FORA!”,Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!”.

Jornal do Brasil:
“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade… Legalidade que o caudilho não quis preservar... A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas... Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada.”.

“... legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições.” (Estado de S. Paulo). 

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade... em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia...  para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas... uma das maiores massas humanas já vistas na cidade.” (O Estado de Minas).

O Dia/Rio: “A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas...”; a Tribuna da Imprensa/Rio: “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas.”.

“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada”… “atendendo aos anseios nacionais de paz, tranquilidade e progresso… as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”. (O Globo/Rio).

Correio da Manhã: “Lacerda anuncia volta do país à democracia.” O Povo, de Fortaleza: “A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz... assim deverá ser, pelo bem do Brasil”.

“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos... souberam unir-se todos os patriotas... para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem... a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a âncora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições... diante da Nação horrorizada.” (O Globo).

“Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos”… “Os militares não deverão ensarilhar suas armas antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria.” (Estado de Minas).

A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista” (O Globo). “Milhares de pessoas compareceram... o ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”. (Correio Braziliense).

“Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas. Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento”  (A Razão, Santa Maria/ RS).

“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações... Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações...”. (Jornal do Brasil, 31/03/1973.

Como apagar, repudiar, manchar, desonrar as palavras do pai, do homem, do responsável pelo majestoso empreendimento, que vinte anos depois das citações acima, escreve, ratifica e assina no editorial Julgamento da Revolução, O Globo, 7/10/1984: “Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada.” O que agora os sucessores ditam não é um desrespeito?

Para atender quais propósitos? O assunto não estava em pauta. As cobranças são de outra natureza. Repudiam basicamente a corrupção e desacreditam o governo Dilma/ reeleição. Candidatos e marqueteiros estão em campo vivendo 2014. Presidência e governos de São Paulo e Rio de Janeiro, alvos principais da cúpula petista. “Presidenta” em queda nas pesquisas, governo SP nas mãos da oposição e governo RJ com aliado que não interessa mais.

A propaganda faz a cabeça, dinheiro paga a propaganda direta e a disfarçada. Os telejornais dão destaque à melhoria do sistema de saúde/programa mais médicos, do trânsito de São Paulo com o prefeito petista, entrevistas com gente de carro desgostando das medidas e outras de ônibus aplaudindo a criação da pista dupla preferencial. Reforço nos protestos contra os governadores, diferente da fase passe-livre, quando não se conseguia ler o texto das faixas tão rápido eram expostas.

Por outro lado a Globo tem sido alvo de acusações na área fiscal, mais um tempero na panela de pressão. Sair do foco faz bem.

No vale tudo, vender a alma, troca de favores ou por 30 dinheiros... Na vida, presente e passado se repetem, opostos se abraçam, brincam de roda, Lula, Dilma, Sarney, Maluf.

 Ficou parecendo um mea-culpa (dele).

 

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