Por Gen Marco Antonio Felício da Silva

Para os profissionais de Inteligência, em operações sigilosas que envolvam assuntos do interesse da Segurança Nacional ou mesmo em investigações importantes, operações frequentemente compartimentadas dentro do próprio órgão de Inteligência, durante as quais não se pode ter vazamento de informações, é normal o uso de verbas secretas. São legalmente previstas e destinadas aos usuários, mediante procedimentos administrativos, também, legais. Os gastos devem ser justificados por meio de prestação de contas por quem os fez e auditados por autoridade, para isso, devidamente designada. Não há ausência de transparência.

Texto completo

Isso é totalmente diferente do que ocorre, na atualidade, com a farra de gastos, através de cartões corporativos do governo federal e distribuídos fartamente a funcionários. São usados, indevidamente, incluso, nos gastos da Presidência da República com despesas de custeio, com o próprio Presidente e de familiares, em compras de natureza particular e pessoal, e em saques de grandes quantias de dinheiro, até mesmo para a compra de jóias, no exterior, como noticiado amplamente pelos jornais e internet. É inadmissível que em viagem presidencial ao estrangeiro, que é precedida de amplo planejamento, checado pelo envio de numeroso e dispendioso destacamento precursor, haja necessidade do uso do cartão corporativo para saques de grandes quantias de dinheiro público, principalmente para uso pessoal e particular. Isso é cultura do patrimonialismo, tão cultivada por este governo e pelo PT, os quais confundem o público com o privado, o que tem sido comprovado pelos inúmeros escândalos, eivados de corrupção de toda natureza, a ponto de o Ministério Público denunciar a formação de quadrilha, dentro do Palácio do Planalto, composta por assessores, dos mais próximos do Presidente, o qual vem se safando, afirmando que de nada sabe, nada ouviu ou viu, o que demonstra incompetência no exercício do cargo ou, no mínimo, má fé.


Má fé e incompetência demonstram ministros e assessores da “entourage” presidencial ao tentarem justificar a ilegalidade desenfreada, escancarada pelo noticiário dos jornais, eivada de impunidade, negando usos irregulares dos cartões corporativos, tentando escondê-los em nome de uma pretensa Segurança Nacional, o que é aceito, infelizmente, passivamente, por outras altas autoridades do governo. Estas se omitem, defendendo as benesses dos cargos que ocupam, enquanto o País mergulha no buraco negro da corrupção e da impunidade, a partir dos mais altos escalões do governo, concorrendo com o crime organizado.


Má fé, pois, tentam justificar o injustificável. Incompetência porque mostram nada entender da atividade de Inteligência, tentando enganar o povo, afirmando que despesas de caráter particular e pessoal do Presidente e de seus familiares e simples despesas de custeio, que devem ser planejadas e constar do orçamento, inerentes a máquina administrativa governamental, não devam ter alto grau de transparência em nome da Segurança Nacional.
O próprio Presidente, dentro da sua ignorância e “vivacidade”, malandragem mesmo, cobra menos transparência de seus gastos e de familiares em nome da segurança, a qual julga fundamental e cita o caso da tentativa de assassinato do presidente do Timor Leste. Mistura alhos com bugalhos, usando demagogia e a ignorância da massa popular, colocando-se, também, como possível vítima de um atentado, e daí a necessidade de transparência mínima, ou mesma a ausência dela, nos seus gastos, para aumento de sua segurança.


Entretanto, a sua preocupação com a segurança, que julga fundamental, parece apenas ser com a sua pessoa e familiares, incluso para que fiquem a salvo das garras da Justiça ordinária ( será que a busca da dupla nacionalidade tem algo a haver? ), apesar das irregularidades cometidas, apontadas publicamente por amplo noticiário. Onde está a preocupação do Presidente com a verdadeira Segurança Nacional quando faz do Ministério da Defesa uma moeda de troca política ? Onde está a sua verdadeira preocupação com a Segurança Nacional quando não se manifesta contrário e não age como Chefe das FA para impedir que seu partido apresente projeto de lei, permitindo que militares da ativa se filiem a partidos políticos ? Será sua intenção partidarizar as FA, fazendo generais militantes do PT, numa república socialista? Onde está a sua preocupação com o sucateamento material e do moral das FA, com salários aviltantes, hoje sem condições de mobilidade tática e estratégica, sem efetivo compatível em condições de proteger nossas fronteiras terrestres, a Amazônia ( já em processo de conquista econômica internacional, a quarta geração da guerra) e suas riquezas tão cobiçadas; o nosso mar territorial com suas plataformas e enormes reservas de gás e de petróleo, as rotas marítimas essenciais à nossa sobrevivência econômica, em caso de conflitos. Onde está a sua preocupação concreta com a nossa Força Aérea, sem condições de proteger o espaço aéreo brasileiro e de projetar Poder ? E a sua preocupação tão decantada e tão inoperante com a Segurança Pública, levando a que se criem estados antagônicos dentro do estado legal? E o sentimento cada vez maior de insegurança e impunidade do povo brasileiro ? Onde está a sua preocupação com a Segurança Nacional se nada fez para obstar a Emenda Constitucional 45, de 08/dez/2004 e a aprovação do   Decreto nº 5.051, de 19 de abril de 2004, ao arrepio da Constituição, dando origem a promulgação da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os povos Indígenas e Tribais, ferindo a soberania Nacional,  abrindo as portas para a internacionalização da Amazônia? EEUU, Austrália e Nova Zelândia recusaram-se a assinar.


Não, não podemos admitir, e principalmente aqueles que têm responsabilidade pela defesa e soberania deste País, em sermos enganados, permanentemente, durante vários anos, por um bando encastelado no Poder e que, em nome de uma falsa transparência mínima, exigida pela Segurança Nacional, esconda, mais uma vez, irregularidades que são passíveis da ação da Justiça comum e contam com o repúdio de grande parte do povo brasileiro.

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar