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Categoria: Diversos
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 Por Nivaldo Cordeiro
A ordem que o presidente Uribe (foto) deu para que suas forças militares invadissem o território do Equador a fim abater o guerrilheiro Raúl Reys a dois quilômetros da fronteira da Colômbia foi um gesto carregado de mensagens.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Texto completo
 
A mais óbvia é que não há mais santuário para a liderança das FARC. Seus membros agora são passíveis de serem alvejados em qualquer parte de hora em diante.
 
Outra mensagem é a de que aqueles países que apóiam operacionalmente a guerrilha são considerados também inimigos militares.
 
A Colômbia parou de se enganar achando que seria possível liquidar os facínoras com operações militares apenas dentro de seu território. Era sua fraqueza estratégica. Com o gesto Uribe escalou uma nova fase, a única que lhe permitirá acabar de vez com a beligerância.

A reação de Hugo Chávez, à parte sua verve circense, é bastante compreensiva.
Reagiu como se a Venezuela tivesse sido ela mesma a invadida e Raúl Reys fosse um dos seus generais.
 
Penso que o cálculo de Chávez é o de que a Colômbia, aberto o precedente no Equador, não hesitará no futuro em liquidar os camaradas das FARC que operam livremente em território venezuelano, verdadeiro santuário para descanso, reabastecimento, exportação de drogas e ação diplomática dos guerrilheiros.
 
Por saber-se cúmplice, Chávez acusou o golpe. Sua reação demonstra todo o medo de que está possuído.

O presidente Uribe está certo em agir assim. Essa guerra está caduca, não deveria mais existir depois de tanto tempo.
 
Urge a pacificação, que só será obtida se a Colômbia, de fato, confrontar as FARC em todas as frentes em qualquer território de operação e fustigá-las até a liquidação final, mesmo que para isso tenha que enfrentar a possibilidade de uma guerra com algum vizinho.

Fica em aberto o papel do governo brasileiro e sua relação com as FARC.
 
 Nosso governo dá apoio político e diplomático aos guerrilheiros, mas não liberou o território como santuário dos facínoras, até porque as nossas Forças Armadas não permitiriam tal acinte à Constituição.
 
E também porque a opinião pública se oporia fortemente a um gesto dessa envergadura. De qualquer forma, está claro que Lula e o PT, agindo no âmbito do Foro de São Paulo, são aliados incondicionais dos guerrilheiros, além de serem também de Hugo Chávez.

Uma eventual beligerância entre Venezuela e Colômbia poderá ter sérios reflexos para o Brasil. Colômbia é aliada dos EUA, que têm interesse em debelar os rebeldes comunistas e fazer cessar a  produção de coca.
Teríamos um cenário de ver os Marines atuando na nossa fronteira Norte, o que não seria nada bom. E certamente uma guerra entre aqueles dois países geraria fluxos migratórios poderosos em direção ao Brasil, desestabilizando as povoações fronteiriças.

É um cenário muito preocupante, pois a linha de apoio político que Lula e o PT vêm dando às FARC pode arrastar o Brasil para dentro de um conflito alheio aos nossos interesses geopolíticos.

Nivaldo Cordeiro
www.nivaldocordeiro.net