Gen Div Clovis Purper Bandeira

 Em nossa América Latina controlada pelo Foro de São Paulo, duas grandes potências se destacam, pelo seu desenvolvimento em todos os campos do Poder Nacional e por servirem de modelo para outros países que ainda não atingiram tal nível de perfeição: Cuba e Venezuela.
 Cuba é um dos últimos baluartes do comunismo soviético, peça de museu que querem ressuscitar no Brasil. Economicamente estacionou nos anos 50. Politicamente regrediu ao início da Guerra Fria, na década de 40. Ainda assim, encanta os socialistas tupiniquins, que choram de emoção quando a visitam e sonham em transformar nosso país numa grande cópia da potência caribenha.

 Venezuela é outro caso. Querendo dar nova roupagem à velha farsa comunista, o falecido e quase canonizado Hugo Chávez concebeu o “socialismo do século XXI”, algo que ninguém sabe explicar claramente o que seja. Nem ele o sabia.

 Depois de um início de governo turbinado pelo alto preço das matérias primas, especialmente da mais preciosa delas, o petróleo, cometeu uma série enorme de desatinos políticos e econômicos para comprar a liderança dos socialistas latinos, pagando tudo com o petróleo farto e barato de seu rico país, até matar a galinha de ovos de ouro.

 Atualmente, os dois países, guias do novo mundo e do novo homem, enfrentam situação dificílima, com a inflação disparando, a produção estagnada ou decrescendo, a corrupção dominando o governo e a sociedade, e o povo sofrendo as agruras do paraíso comunista.

Um dos sinais do desabastecimento que enfrentam é a falta de papel higiênico.

Em Cuba, o problema é mais antigo e é resolvido com o uso improvisado de papéis que não faltam no mundo comunista: jornais estatais. O preferido é o Granma, cujas páginas são impressas em papel mais macio e com menos tinta que o do jornal Trabajadores. Naturalmente, a culpa da falta deste e de outros itens de higiene individual é do embargo americano, e não do desestímulo a qualquer atividade produtiva gerado pelo sistema socialista.

Na Venezuela, depois de culpar o imperialismo americano e o pouco que resta da imprensa livre no país, o atual presidente – talvez inspirado nas reuniões de meditação que faz junto ao túmulo de Chávez, ou, quem sabe, orientado por um dos passarinhos que o falecido guru lhe envia com mensagens do além – teve que importar milhões de rolos de papel higiênico, pois não havia como fabricá-los no país. A indústria do papel é outra que foi levada à falência em consequência das intervenções desastradas do governo na economia.

O presidente em exercício, o inefável Maduro, atribuiu o desabastecimento ao fato de o povo, com a “revolução”, estar comendo mais e, consequentemente, usando mais papel higiênico. Seria cômico, se não fosse trágico.

Para completar o quadro, o delirante líder criou, sob aplausos de seus acólitos, o Vice-Ministério para a Felicidade Suprema do Povo. Agora os problemas serão resolvidos por decreto. Se a realidade não coincidir com o planejado, mude-se a realidade. Além do mais, é um exemplo – mais um – para o Brasil, sempre pronto para criar mais um ministério.

Finalmente, na vizinha Argentina, em tempos idos o país mais rico e desenvolvido da América Latina, o problema de papel se apresenta de outra forma: o papel de imprensa. Controlar sua produção e distribuição é uma das maneiras que o desgoverno social-populista Kirchner, recentemente derrotado fragorosamente nas eleições regionais e do Legislativo, encontrou para aumentar o controle sobre os órgãos da imprensa livre – notadamente o grupo Clarín.

O monopólio estatal do papel de imprensa – algo que, no Brasil, foi feito por Getúlio Vargas – é um garrote que limita a tiragem e a lucratividade do grupo inimigo do governo. Para completar o cerco à imprensa que não se curva à Casa Rosada, a Suprema Corte platina, majoritariamente composta por membros nomeados pelo clã Kirchner, acaba de reconhecer a temida Lei dos Meios, que limita o tamanho dos grupos de mídia e o número de veículos que pode possuir, obrigando-os a vender o que passar dessa cota. Chama-se tal forma declarada de censura à imprensa de “controle democrático da mídia”, o que já foi tentado mais de uma vez pela petralhada no Brasil, e continua sendo uma de suas metas mais caras.

O exemplo está mais ao norte: Cuba e Venezuela, que já venceram a fase do domínio da imprensa contestadora, não mais se preocupam com papel de imprensa. Seu problema, agora, é a falta de papel higiênico, o que os obriga a improvisar, substituindo um pelo outro.

Cuidado, brasileiros. Lembremos Bismarck, que dizia: “Os tolos dizem que aprendem com os seus próprios erros; eu prefiro aprender com os erros dos outros.”


 

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