Correio Braziliense - 13/11/2013   

Era a madrugada de segunda-feira, 6 de dezembro de 1976, quando João Goulart morreu. Na tarde de domingo, ele faria a última travessia de lancha (de aluguel), acompanhado da mulher Maria Thereza, de Bella Union, no Uruguai, para o porto de Monte Caseros , na Argentina. De lá, seguiram em um Ford Falcon azul da família para a estância La Villa, onde moravam, na província de Mercedes. Os detalhes são contados por Juremir Machado da Silva, no livro Jango, a vida e a morte no exílio. 

 

Jango era sedentário, fumante, apreciador de carnes gordas, estressado. Motivos não faltavam para seu coração parar repentinamente, apesar dos medicamentos que tomava diariamente. Em 1969, já havia sofrido um infarto coronariano no Uruguai. Dois meses antes de morrer, tinha ido à França conhecer o neto Christopher, recém-nascido, e aproveitou para se consultar no Instituto de Cardiologia de Lyon. 

Já passava da meia-noite quando Maria Tereza, que dormia ao seu lado, despertou com o marido passando mal. Poucos segundos depois, ele já não respondia. A certidão de óbito emitida pela província de Mercedes apontou que a morte foi às 3h de “enfermedad” (doença em espanhol). O documento anexa o atestado emitido pelo médico argentino Ricardo Rafael Ferrari, chamado por funcionários da fazenda. Nele, consta que a causa foi infarto. Em depoimentos posteriores, o médico alega não ter visto necessidade de recomendar a autópsia. 

Porto Alegre soube da morte de Jango na manhã de segunda-feira pelo noticiário das rádios. Amigos do ex-presidente pediram permissão ao governo militar para que ele pudesse ser enterrado no Brasil, na sua cidade natal, São Borja. O presidente Geisel autorizou que o corpo fosse transportado por avião, para evitar manifestações populares. 

Os filhos, João Vicente e Denise, então com 20 e 19 anos, que estavam no exterior, chegaram na manhã de terça ao município gaúcho. Reportagens da época relatam que o cortejo foi acompanhado por cerca de 30 mil pessoas. Às 14h, foi realizada uma missa, encomendada por suas quatro irmãs, entre elas, Neuza Brizola, casada com Leonel Brizola. A filha Denise estendeu sobre o caixão uma faixa com a palavra “anistia”. Relatos dão conta de que ele foi coberto pela bandeira nacional. Outras homenagens, não teve. (AD) 

57 anos
Idade na qual Jango morreu, durante exílio, na Argentina

 

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