Do outro lado da moeda

07/09/2006 - Tribuna do Norte

Rafael Duarte - Repórter, entrevistandoo autor do livro.

    O ano de 2006, no entanto, pode ficar marcado pelo retorno dos militares. Pelo menos à mídia. O coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, 74 anos, decidiu contar a versão dos militares para o golpe de 1964 - que derrubou do poder o presidente Jânio Quadros e deu início à ditadura. Ironicamente, o Ex-chefe do DOI-CODI, em São Paulo, entre 1970 e 1974 - um dos órgãos mais temidos durante a repressão - revela que vem sendo boicotado pelas grandes livrarias do país desde abril deste ano, quando decidiu publicar "A Verdade Sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça".
   Com mais de 6 mil exemplares vendidos - segundo informações do autor -, o livro causou a primeira polêmica já no dia do lançamento oficial, em Brasília. O coronel foi intimado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a depor sobre as acusações da militante de esquerda Maria Amélia Telis, que denunciou ter sido torturada na época de seu comando. O lançamento do livro em Natal está marcado para o dia 14 de setembro, a partir das 18h, na AS Livros da avenida Salgado Filho.
    O coronel Brilhante Ustra conversou com o VIVER por telefone sobre o livro e outras questões relacionadas ao período. A voz tranqüila do militar no início da entrevista deu lugar à irritação em alguns momentos. Ele não admitiu a prática da tortura pelo regime, afirmou que o golpe foi dado para preservar a democracia e sentenciou: "vivemos numa ditadura disfarçada". 

TRIBUNA DO NORTE Qual é a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça? 
Brilhante Ustra: A história da contra-revolução que começou no dia 31 de março de 1964. No livro procuro resgatar por que aconteceu daquela forma. Me baseio em documentos, provas e em dados, principalmente, os da esquerda.   

Além de ter marcado simbolicamente o fim da ditadura militar no Brasil, a saída do general João Batista Figueiredo pela porta de trás do Palácio da Alvorada (ele se recusou a passar a faixa presidencial para o sucessor José Sarney), em 1985, levou os militares ao ostracismo. A única voz que se ouvia, até então, nas discussões sobre a repressão era a da esquerda brasileira. Nos últimos 20 anos, a bibliografia dos "anos de chumbo" expôs um dos lados da moeda.  

E o que houve naquele momento que ainda não foi contado?
BU: O que se sabe é a versão mentirosa da esquerda. Trago a verdade. Desde 1961, durante os governos democráticos de Jânio Quadros e João Goulart, a esquerda visava plantar uma república marxista-leninista aqui. Vários comunistas, inclusive, foram mandados a Cuba para treinar técnicas de guerrilha armada.

Com o consentimento do Governo?
BU: Não. Era coisa do Partido Comunista. Fazia parte de um esquema montado pela União Soviética apoiado por Cuba através da Organização Latino-americana de Solidariedade, que orientava a luta armada. O que ocorreu, então, foi uma antecipação das Forças Armadas com a contra-revolução. Lutamos para preservar a democracia que vivia naquele momento. A esquerda, ao contrário, queria a ditadura revolucionária.

Mas não é incoerente preservar uma democracia com uma ditadura?
BU: Não é com ditadura! Estávamos em pleno regime democrático. Quando começou o terrorismo, os presidentes estavam vivendo uma democracia. As Forças Armadas reagiram e preservaram o regime. Isso ocorreu na Argentina, no Chile, no Peru, na Colômbia, no Uruguai... o único país em que a democracia não foi implantada, e curiosamente é venerado até hoje pela esquerda, é Cuba.

Que dados da esquerda o senhor utiliza para contar essa verdade?
BU: Principalmente os das mortes. Enquanto 30 mil pessoas morreram na Argentina e 4 mil no Chile, no Brasil houve apenas 500 mortes. 

Mas são números oficiais do regime?
BU: Não. A esquerda conseguiu apresentar apenas 380 mortos e o governo contabilizou apenas 120. No livro relaciono todos os nomes. Pelo tamanho do Brasil, deveriam ser 150 mil, mas as Forças Armadas agiram rápido e evitaram que o país virasse um pandemônio.

E por que o senhor decidiu escrever o livro agora?
BU: Essa história tem sido contada e mal contada por um lado. Quando houve a lei da anistia, foi dada a ordem e decidimos colocar uma pedra em cima daquilo para começar uma nova etapa. Mas o lado dos vencidos conta a coisa de maneira deturpada. O que eu faço é destruir isso no livro.

O senhor vem enfrentando algum tipo de boicote?
BU: As grandes livrarias se recusam a vender meu livro. Estou sendo censurado. Parte da mídia também está silenciosa. Mas conversei com algumas pessoas do meio que me atestaram que o livro vai ser um fenômeno de vendas. Já vendi mais de 6 mil exemplares em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, estados onde lancei a obra. O interessante é que as pessoas que viveram 1964 estão comprando o livro para os filhos que ainda não eram nascidos, orientando-os para que leiam. 

Tem  receio de manifestações por parte de entidades de esquerda?  
BU: Até agora não aconteceu. Se houver manifestação terei mais uma prova de que estamos vivendo sob uma ditadura disfarçada, que essa é a verdade sufocada.

Em abril, quando o senhor lançou o livro em Brasília, o Tribunal de Justiça de São Paulo o intimou... 
BU: Mas não teve nada a ver com o livro! Foi uma terrorista (Maria Amélia Telis) que disse que foi torturada na frente dos filhos no DOI-CODI de São Paulo, em 1972, quando eu estava na chefia. Eles estão querendo que eu ajude a pagar a pensão dos filhos deles. 

Eles foram torturados mesmo? Em que pé está o processo? BU: Olhe, o caso está com o meu advogado, Paulo Esteves, e ele me orientou a não dar qualquer declaração sobre isso. Se você quiser saber alguma coisa, ligue para ele.

Coronel, a ditadura era apoiada, de certa forma, por uma parcela da população até a prática da tortura no regime vir à tona. O senhor conta isso também no livro? BU: Quando eram presos e chegavam na auditoria, era muito normal os terroristas negarem os assaltos, os atentados, dizerem que foram torturados... para o currículo deles, hoje, isso é o máximo. Dizer que matou gente, roubou... para nós, fica a pecha de torturador. Por mim, no DOI-CODI, passaram mais de cinco mil pessoas.

Mas havia tortura...  BU: Nunca vou admitir isso. Sei que havia alguns exageros, mas não era o normal.

Por que não admitir a tortura se o senhor está se propondo a contar a verdade sufocada daquele tempo?
BU: Rapaz, quantos anos você tem?

Vinte e sete.BU: Então, você não sabe de nada. É muito jovem, não viveu aquele tempo.

O DOI-CODI paulista, que o senhor chefiou entre 1970 e 1974, era tido como um dos órgãos mais temidos da repressão. Por quê?  
BU: A quantidade de terroristas em São Paulo era maior do que em qualquer outro lugar do país. Mas leia meu livro que você verá que isso não era verdade. Não tinha nada de temido.  

Mas...BU: Olhe guri, estou aqui para falar sobre meu livro! Me disseram que a entrevista seria sobre o livro. Não gosto de falar com a imprensa que quase sempre deturpa o que eu falo.  

O senhor tem medo da imprensa?
BU: Se tivesse medo da imprensa já tinha morrido. Não sou contra ela. O problema é que a mídia deturpa as coisas. Tenho muito respeito por ela, só não gosto da falta de ética. 

Coronel, os militares dizem que não morreu nenhum inocente durante a ditadura. Mas o fato do general Newton Cruz ter sido um dos indiciados pelo atentado no Riocentro, em 1981, não prova que os militares também forjavam provas para incriminar os comunistas? BU: Não posso falar sobre isso porque não estava lá. Morava em São Paulo nessa época. Essa história de que militar plantava prova é um mito da esquerda. Olhe, já falei sobre o livro. Vamos encerrar essa conversa...
 
Retificação posterior à entrevista: Eu na ocasião morava em Brasília

Comentários  

0 #1 Jose Farias 22-08-2013 08:37
Senhores, estarrece-me sobremaneira, saber que cristãos - católicos e evangélicos -, uns por inocência outros por interesses inconfessáveis, alimentam uma organização criminosa que visa exterminar a nossa liberdade de expressão e religiosa. As denúncias de atrocidades dos comunistas contra os cristãos feitas por Richard Wurmbrand e Haralan Popov em seus livros publicados não sensibilizaram essas pessoas. Parece que falta-lhes o discernimento espiritual. Ao pesquisar sobre o Foro de São Paulo encontramos quem são os partidos no Brasil apoiadores dessa organização.... ..

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