PUBLICADA PELA IMPRENSA MILITAR - MINISTÉRIO DA GUERRA, EM JANEIRO DE 1945, E REPUBLICADA PELO JORNAL INCONFIDÊNCIA, N° 196, DE NOVEMBRO DE 2013, NA EDIÇÃO ALUSIVA À INTENTONA COMUNISTA DE 1935  

    “Belo Horizonte, 4 de fevereiro de 1936 

    Desgraçado:

    Que fizeste do meu filho?

    Que mal te fez ele?

    Mataste-o impiedosamente pela tua ambição de mundo e riqueza.

    Ele era um servidor da Pátria que tu traíste, mas não tinha o poder que tu ambicionavas nas tuas mãos.

    Assassino.

    Mataste meu filho, que àquela hora no cumprimento do seu dever velava, enquanto tu, maldito, demente idealista sacrílego, ferias tua Grande Mãe. Malvado, se tanto podes, se juntes com tua madrasta - Rússia - e devolva-me meu filho!

    Matricida.

    Rasgaste o peito da boa mãe que quatro anos embalou a tua mocidade, dando-te roupas, alimentação, ensinamentos, no meio de centenas de irmãos, ferindo-a no coração.

    Covarde.

    Nem a morte te quer; tu que venalmente quiseste enfrentar um Exército leal não tem coragem para te matares.

    Mata-te, desgraçado, já que traíste mães que souberam te guiar à senda do bem e que certamente não terão sentimento para chorar a tua perda.

    Estas palavras escritas com lágrimas de saudade de meu filho, certamente te causarão raiva.

    Meu filho foi bom em toda a extensão da palavra - filho abençoado, irmão idolatrado.

    Viveu 25 anos porque teve educação a par dos seus bons sentimentos; sempre trabalhador, estudioso e leal, - graças a Deus sempre cumpriu com o seu dever e cumprindo o dever morreu.

    Eu, no meio da tristeza, da amargura e do sentimento que tenho de não ver mais meu idolatrado filho, sou mais feliz que tua mãe, essa infeliz, se ainda vive, se não a mataste ainda para ver de onde foste gerado!

    O meu Benedicto  é mais feliz do que tu, morreu de consciência tranquila e justo se acha na paz de Deus, e o seu nome na terra é venerado como símbolo.

    O Brasil inteiro, e muito especialmente Minas, demonstraram nas homenagens que lhe tributaram nos funerais.

    E tu, qual será o teu fim?

    Certamente na pupila do olho de Moscou.

    Demente, olha para o céu, fita o sol se és capaz!

    Matricida - pois a esta hora tua mãe deve estar morta de dor, que tu lhe causaste.

    Traidor.

    Assassino.

    Maldito, mil vezes maldito.

    Ri, desgraçado, das minhas lágrimas, do meu desespero.

                              Balbina Lopes Bragança.” 

    Nota: o Tenente Benedicto Lopes Bragança foi assassinado covarde e traiçoeiramente, por volta das 3 horas da manhã, de 27 de novembro de 1935, na Escola de Aviação Militar, no Rio de Janeiro. O seu assassino foi o Capitão Agliberto Vieira de Azevedo, que, friamente, atirou no Tenente  quando este se encontrava preso e desarmado, no interior de um carro, como consta do relatório do delegado Eurico Bellens Porto.                                 
ESQUECER, TAMBÉM É TRAIR!!

   

 

 

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