Ernesto Caruso
 06/12/2013
 
       O ser humano apesar de exercer relativo controle sobre as demais espécies do reino animal, e no geral pacífico, é o mesmo troglodita nas brigas, mata sem piedade, estupra e foge; covarde, aterroriza na sombra; nas guerras joga bombas, explode milhares. Mas, cada pessoa tem a sua identidade que a diferencia dos outros mesmo em meio nocivo, agreste, rude.

Identidade que tem no próprio nome o ente que define quem você é; entidade, muito além dos registros de datas, sexo, foto... Estuda, evolui, se esforça, aprende, ensina, mas é muito limitado, desconhece muito mais do pouco que sabe. Tem convicções aceitas sem prova concreta. Dúvidas e penumbra permeiam a mente.


Somos o que somos no nascer, luz que nos desperta para a vida até quando, sem resposta, o incógnito na morte do corpo. E depois o que vem? Permanece o ente lembrado, reverenciado, esculpido, retratado. Monumentos, lápides, mausoléus, epitáfios, flores, simples Cruz. Do barro para o barro, igual.

Foi filho, filha, pai, mãe, irmão, irmã, tia, tio, avô, avó... Títulos sem galardão, sem doutor ou excelência, mas família. Quem fica não esquece, reverencia sempre em moto continuo. Quando em vida recebia presentes, abraços, festas, cumprimentos.

Dia das Mães, dos Pais, aniversário. Agora luz e oração, flores, até lágrimas já contidas pelo tempo, saudade, eternamente. Dia de Finados, no cemitério, na igreja. Ninguém deleta, ninguém perde. Sente a presença. Pede-se ajuda Maior para quem se foi e a quem se foi; anseio pelo olhar de proteção que um dia com as mãos o amparava. Não o deixava cair.

Tendo como exemplo a figura materna, onde emerge a nova vida, ente único, com digitais, íris, DNA inigualáveis; filho a quem o tempo não apaga o sentimento de gratidão, de amor.       Sentimento presente no filho, no filho do filho em relação a avó, que vai ser bisavó. Mas, a mesma pessoa, o mesmo ente, a mesma identidade. Sempre até fora do plano terreno.

       A ignorância, a letra e a ciência que nos envolvem admitem a permanente existência daquela que nos gerou por quem rezamos, levamos flores, acendemos vela não mais ao corpo que virou pó. Ao espírito, à alma, ao ente em constante relacionamento recíproco. Assim, aceito, compreendido. Encomenda-se missa de sétimo dia, ano, tantos anos e nas datas de aniversário.

       Há crente em Deus, no Espírito Santo que espera um dia quando livre da matéria encontrar os entes queridos em outra dimensão, no Céu, com a identidade que vieram à terra. Convicção, verdade sem prova, fé.

       Sim, creio que muitos pensam assim,... “vou encontrar minha mãe, meu pai, meus irmãos, meus filhos, um dia... ao lado do Pai”. Não terei que procurá-los sei lá onde estiverem, sem sintonia, sem o elo que nos mantinha ligados em oração, saudade.

Nos primeiros momentos em que o corpo jaz inerte afloram o “descanse em paz”, “que o Senhor receba a sua alma na eternidade”. E lá vai permanecer com a mesma luz do nascimento.

Paz que precisa ser semeada, cultivada e florida em vida no convívio fraterno, corrigindo os erros, escolhendo o caminho da dignidade, do respeito a si próprio e aos semelhantes, da decência e da honestidade intencional. Honrado na terra, bem recebido na eternidade.

Encontrar em Cristo fonte de fé, saúde, paz, prosperidade com união e igualdade.

 

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